03/06/2011 17:55 | post
Recentemente, incontáveis noticiários tem revelado fatos associados ao acidente radioativo que acometeu a usina nuclear de Fukushima no Japão. Por conta desse acontecimento, espera-se que as várias provas de vestibulares vindouros explorem conhecimentos relacionados aos fenômenos radioativos, entre os eles, o processo de enriquecimento do urânio.
Foto: naval.com.br
O urânio é encontrado na natureza na forma de uma mistura constituída por 99,3% do isótopo 238U e apenas 0,7% do isótopo 235U. O urânio-235 é um isótopo físsil ou fissionável e, por isso, pode ser utilizado como combustível capaz de alimentar os reatores nucleares, produzindo a energia desejada; enquanto que o urânio-238, que é o predominante, não é físsil e, portanto, não é aproveitável para a finalidade energética nuclear.
Os minérios de urânio contêm, normalmente, vários óxidos desse elemento: UO2, UO3 e U3O8, contendo, em média, 99,3% de 238U e 0,7% de 235U, como é de se esperar encontrar em qualquer amostra contendo urânio.
Após ser extraído, o minério passa por uma série de processos:
- separação das impurezas, por processos físicos variados;
- tratamento químico para a obtenção de uma pasta amarela (yellow cake), constituída por cerca de 80% de U3O8;
- purificação do U3O8 obtido;
- redução do U3O8 a UO2, através da seguinte reação:
U3O8 + 2 H2 → 3 UO2 + 2 H2O
- transformação do UO2(sólido) em UF6(gasoso) pelas reações:
UO2 + 4 HF → UF4 + 4 H2O
UF4 + F2 →UF6
O produto UF6(gasoso) é obtido como uma mistura de 238UF6 e 235UF6, cuja separação é extremamente difícil e onerosa. Considerando que o 238UF6 e o 235UF6 têm massas moleculares ligeiramente diferentes e, consequentemente, densidades também diferentes, podemos separá-los por:
- difusão gasosa (ou melhor, efusão gasosa) através de placas porosas;
- ultracentrifugação (centrifugação em altíssimas velocidades);
- jato centrífugo;
- laser.
Qualquer que seja o método utilizado, a separação completa entre o 238U e o 235U é praticamente impossível. Sendo assim, o que se faz na prática é procurar aumentar o teor percentual do U-235 em relação ao U-238. A esse processo dá-se o nome de enriquecimento do urânio, através do qual se pode obter misturas com até 98% de urânio-235.
No Brasil, o processo de enriquecimento do urânio é realizado pelo método da ultracentrifugação, onde um grande número de ultracentrífugas associadas em série e em paralelo trabalham em altíssimas velocidades, buscando a eficiente separação dos isótopos do urânio. Considerando que os cilindros das ultracentrífugas giram em altíssimas rotações, o 238UF6, que é mais denso, se acumula jundo às paredes do cilindro e sai por um canal diferente do canal do 235UF6.
Uma vez separadas (parcialmente) as frações de moléculas 238UF6 e 235UF6, obtém-se o urânio, por meio da reação com o cálcio, conforme equacionado a seguir:
UF6 + 3 Ca → U + 3 CaF2
O urânio metálico obtido será então usado como combustível nos reatoes nucleares ou na confecção de bombas atômicas.
Outro processo consiste em se transformar o UF6, agora enriquecido, novamente em UO2, e usar o UO2 em forma de pastilhas, nas barras de combustível dos reatores nucleares.
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